Primeiro livro que leio de Fiódor Dostoiévski. Fiquei fascinado. Demorei uns quatro meses, mas fiquei boquiaberto. Próximo alvo é Irmãos Karamazov.
O livro conta a história do estudante de direito Raskólnikov, também chamado de Ródia, que planeja e comete um homicídio e para não ser descoberto, outro logo em seguida. O narrador mostra-nos o ambiente, os pensamentos, a doença e várias outras coisas que o influenciam a cometer tal ato hediondo.
Outra coisa forte no livro é o trabalho do então não estruturado inconsciente, pois só o foi por Freud anos mais tarde. Esse inconsciente é demonstrado nos atos do personagem, os quais mostram real arrependimento, mas que não é confessado pelo mesmo na sua consciência. Ele insiste em falar que o melhor que fez foi matar a velha usurária, mas não se utilizar de nada do que roubara e até mesmo de abrir uma bolsinha que continha dinheiro que não poderia ser rastreado como os outros itens roubados mostram que o inconsciente trabalhava em seus atos. Fora a sua confissão do crime.
Além da personagem principal, as narrativas, os demais personagens e a descrição e atitudes desses são incríveis. Claro que Dostoiévski abre uma discussão sobre o tema da obra que é o crime e o real castigo que vem com ele, tratando belamente e filosoficamente disso. Inclusive a filosofia está na boca desses personagens.
Só no epílogo que vemos a redenção do personagem. Uma redenção cristã, uma nova vida que a personagem só a obtém em cárcere, onde percebe o valor da vida.
Outras personagens que me apaixonei são Sônia e Razumíkhin. Mas são muitas os boas personagens.
Não deixe de ler essa obra também. Aconselho muito.
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terça-feira, 14 de março de 2017
Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres
Segundo livro que leio de Clarice Lispector. O primeiro foi o A hora da Estrela, comentadíssimo, inclusive escolhido para lista de leitura para diversos vestibulares.
Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres é o quinto romance da autora. Nessa obra, o narrador conta a história de Lóri e suas aprendizagens sobre o amor e a existência. Ulisses tem um papel importante nas descobertas da personagem, o qual age como condutor de Lóri até o amadurecimento emocional.
O eu e o outro é uma das principais discussões da obra. O eu e o que sou? são coisas que deixam a personagem mais perdida em sua existência, a qual é reencontrada e amadurecida ao se relacionar mais profundamente com o outro. Esse é seu desafio, sair do eu e se envolver com o outro.
Percebe-se uma concordância do tema principal com o ideal cristão de voltar-se para o outro. Claro que não é um livro religioso, mas trata da espiritualidade, principalmente com a personagem Lóri. Ela sempre traz o Deus para seus pensamentos, seja para contradizê-lo, inclusive ideais bíblicos, ou modificá-los para si. De acordo ela vai se encontrando e encontrando o amor de forma que não o conhecia, esse o Deus vai tendo uma maior forma.
O texto é construído de forma única. A luta contra paradigmas é bem clara, inclusive na pontuação, afinal, o romance começa com uma virgula e termina com dois pontos. O pensamento de Lóri é único, e não o é ao mesmo tempo. A linguagem que parece tão distoante, mostra os traumas e lutas universais das pessoas, não só da mulher ou qualquer outro. A noção de estar perdido e de quando não, se perder a cada momento. Existêncialismo muito existente em Clarice Lispector, que parece trazer a dor da existência em suas obras e a luta para existir.
Nessa obra, parece haver uma resposta, não nova, nem inovadora, mas inovada, pois existe a muito tempo. Ao usar a personagem Lóri nessa temática, um ser único e claramente perdido, ela torna universal o que tão parece individual: a compreensão e satisfação com a vida.
Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres é o quinto romance da autora. Nessa obra, o narrador conta a história de Lóri e suas aprendizagens sobre o amor e a existência. Ulisses tem um papel importante nas descobertas da personagem, o qual age como condutor de Lóri até o amadurecimento emocional.
O eu e o outro é uma das principais discussões da obra. O eu e o que sou? são coisas que deixam a personagem mais perdida em sua existência, a qual é reencontrada e amadurecida ao se relacionar mais profundamente com o outro. Esse é seu desafio, sair do eu e se envolver com o outro.
Percebe-se uma concordância do tema principal com o ideal cristão de voltar-se para o outro. Claro que não é um livro religioso, mas trata da espiritualidade, principalmente com a personagem Lóri. Ela sempre traz o Deus para seus pensamentos, seja para contradizê-lo, inclusive ideais bíblicos, ou modificá-los para si. De acordo ela vai se encontrando e encontrando o amor de forma que não o conhecia, esse o Deus vai tendo uma maior forma.
O texto é construído de forma única. A luta contra paradigmas é bem clara, inclusive na pontuação, afinal, o romance começa com uma virgula e termina com dois pontos. O pensamento de Lóri é único, e não o é ao mesmo tempo. A linguagem que parece tão distoante, mostra os traumas e lutas universais das pessoas, não só da mulher ou qualquer outro. A noção de estar perdido e de quando não, se perder a cada momento. Existêncialismo muito existente em Clarice Lispector, que parece trazer a dor da existência em suas obras e a luta para existir.
Nessa obra, parece haver uma resposta, não nova, nem inovadora, mas inovada, pois existe a muito tempo. Ao usar a personagem Lóri nessa temática, um ser único e claramente perdido, ela torna universal o que tão parece individual: a compreensão e satisfação com a vida.
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